Referendo sobre a IVG

Aconteceu no Domingo passado (11 de Fevereiro de 2007) o 2º referendo relativamente à IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez), e, felizmente, o Sim “ganhou”, o que teria tido mais valor caso o referendo tivesse sido vinculativo.

Este resultado trouxe-me algumas esperanças relativamente ao futuro de Portugal e dos Portugueses, mas também algumas tristezas:
- Esperanças pois eu tinha uma triste certeza - que felizmente não se veio a verificar - de que o Não voltaria a ganhar, independentemente da abstenção, dado que a nossa População é em grande parte “conduzida” pela Religião Católica;
- Tristezas dado que a abstenção, apesar de consideravelmente menor relativamente ao último referendo (em 1998 foi de 68,1% e no Domingo de 56,4%), ainda foi bastante, o que revela um povo desinteressado em manifestar a sua opinião e em exercer o seu direito (na minha opinião dever) de voto.

Custa-me sinceramente a compreender as motivações dos movimentos pelo Não, dado que o Sim não implica que a pessoa seja a favor do Aborto, mas sim a favor da Liberdade (e esta é a palavra chave) da decisão de qualquer mulher de querer interromper a sua gravidez.

Claro que tal decisão tem as suas questões éticas, mas sejamos francos, ninguém irá começar a abortar porque “está na moda” ou porque “é giro” ou porque “lhe apetece”…

Um aborto influencia e de grande forma o estado emocional da mulher, e esta, por mais irresponsável e imatura que seja, tem sempre consciência disso e das consequências da sua decisão.

Acho que o Sim deveria ter sido encarado como um Sim à liberdade de decisões da Mulher e não como um Sim à liberdade de executar vidas humanas (como alguns movimentos queriam fazer entender).

Também não podemos esquecer que o aborto clandestino, além de possuir uma taxa elevada de mortalidade, é desumano e não faz sentido a humilhação pela qual a Mulher passa ao o realizar, no século em que vivemos.

Esta opinião talvez venha tarde (dado que o referendo já passou), mas achei que deveria deixar aqui a minha opinião.

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